segunda-feira, 1 de outubro de 2012

TÁXI: Como obter maior lucratividade na Prestação de Serviços – Parte 3 (última) – Precificação Estratégica, Produtividade e Qualidade.

Esta série de posts mostra como Gestão Comercial, Planejamento e Controle, Precificação Estratégica e Produtividade & Qualidade são aplicáveis a qualquer atividade econômica (Fabricação, Venda ou Prestação de Serviços).
Para que fique bem clara esta ampla aplicabilidade, escolhi uma atividade que a maioria das pessoas utiliza, mas dificilmente considera como um negócio: TÁXI.
Nos dois posts anteriores (Parte 1 e 2), falamos da aplicação de Gestão Comercial e Planejamento & Controle nesta atividade. Neste último post (Parte 3), falaremos sobre Precificação Estratégica, Produtividade e Qualidade.

Parte 3 – Precificação Estratégica, Produtividade e Qualidade.

Nos posts anteriores, vimos que, mesmo num Táxi, podemos aplicar:
ü  Gestão Comercial:
®      Escutar o cliente (que antigamente tinha a denominação de passageiro), descobrir o que eles mais desejam de modo a focar na entrega deste desejo.
®      Cuidar da aparência da “loja” (seu veículo).
®      Estabelecer uma comunicação direta e contínua visando à fidelização do seu cliente.
ü  Planejamento e Controle:
®      Analisar e buscar a melhoria de alguns indicadores:
Ø  Quanto estou ganhando mensalmente com a atividade.
Ø  Quantos dias são necessários trabalhar para pagar as despesas fixas (prestação do carro, INSS, Mensalidade da Cooperativa, etc.).
Ø  Qual a minha média de faturamento por viagem.
Ø  Quantos KM são percorridos em média por viagem.
Agora, vamos nos concentrar nas opções para aumentar ou resgatar a LUCRATIVIDADE do negócio (nunca se esqueça: Táxi é um negócio!) utilizando Precificação Estratégica, Produtividade e Qualidade.
Quais as Estratégias que podemos utilizar para melhorar a LUCRATIVIDADE? Para responder a esta pergunta, vamos recapitular o que é Estratégia (post Estratégia de Preços deste blog):
Estratégia pode ser definida como o conjunto de objetivos, finalidades, metas, diretrizes fundamentais e os planos para atingir os objetivos. Para ter uma Estratégia, precisamos atuar de forma diferente, com inteligência e planejamento. Sun Tzu, estrategista militar do século IV a.C. escreveu: “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas”.
v  No nosso caso, “conhecer o inimigo” é conhecer o ambiente externo, o mercado (Concorrentes e Clientes).
v  O conhecimento de nós mesmos é resultado das análises dos indicadores financeiros e não financeiros (Parte 2 – Planejamento & Controle) aliada ao comportamento na nossa “loja”, ou seja, nosso veículo - Aparência e Conforto, Qualidade e Comunicação (Parte 1 – Gestão Comercial).
Vamos agora exemplificar algumas propostas para melhoria da LUCRATIVIDADE, nunca esquecendo os conceitos derivados das análises de Sun Tzu:
Ø  Selecione os mercados em que você competirá
®      Selecionar em que regiões da cidade atuar e a que tipo de clientes atender mais frequentemente.
Ø  Organize os seus recursos
®      Dentro da Capacidade Financeira e da estratégia escolhida, selecionar:
§  Meios de comunicação (Rádio, Celular, Panfleto).
§  Estrutura de Operação (Ponto, Cooperativa).
§  Tipo de veículo.
Ø  Implemente as ações competitivas planejadas
®      Aplicar as Estratégias selecionadas nos mercados e clientes selecionados.
Ø  Gerencie as Contingências
®      Analisar os efeitos da Aplicação das Estratégias e, caso seja necessário, providenciar a correção das mesmas.
§  Importante: Não existe Estratégia Infalível. Fique atento para os resultados das ações aplicadas. Analise o resultado de cada ação de acordo com o prazo esperado (curto, médio ou longo).

Feita a introdução, vamos analisar algumas opções de aplicação dos conceitos de Precificação Estratégica ao negócio Táxi, partindo da tabela 1 abaixo e nunca esquecendo que:
·         Esperamos atingir os objetivos e metas planejados, mas não podemos esquecer que, do outro lado existe o imponderável. Estaremos apostando no nosso planejamento, mas devemos estar atentos para administrar realidades adversas (as Contingências a que Sun Tzu se referia).
·         Riscos e Dificuldades fazem parte. A análise comparativa entre o planejado e o real deve levar em consideração este fato.


Tabela1 – Resultado Atual da Operação Mensal de um Táxi

1.     Proposta: Melhoria do Resultado, aumentando o valor médio por KM percorrido e receita por km percorrido.
®     Utilizando a Tabela de Preços que é igual para TODOS os Taxistas (é definida pela Prefeitura da cidade), podemos direcionar as viagens para que durem menos tempo, sejam mais recorrentes e tragam Resultado melhor.
·   Por que (objetivo)?
Ø  Menor tempo significa maior possibilidade de viagens por dia
Ø  Menor KM percorrido por viagem significa estar mais próximo à Bandeirada
Ø  A Bandeirada é um valor fixo pago ao Taxista, independente da KM rodada. A composição do valor da viagem é a Bandeirada mais o KM percorrido. No Rio de Janeiro, na Bandeira 1, o valor da Bandeirada é de R$ 4,70 e o valor por km percorrido é de R$ 1,70 (ver exemplos abaixo):
ü  Uma corrida de 2 km terá o valor de R$ 8,10 (R$ 4,70 + 2*R$ 1,70). O Valor da Receita por km desta viagem para o Taxista será de R$ 4,05 (R$8,10 / 2 km).
ü  Já uma corrida de 15 km terá o valor de R$ 30,20 (R$ 4,70 + 15*R$ 1,70). O Valor da Receita por km desta viagem para o Taxista será de R$ 2,01 (R$30,20 / 15 km). Note que este o valor por KM rodado é menos da metade do valor para a viagem de 2 km.
·   Como (plano de ação)?
Ø  Se associar (cooperativa, grupo, etc.) com um ou mais pontos. A característica principal deste(s) ponto(s) deve ser a de possuir GRANDE quantidade de viagens CURTAS durante o dia.
Ø  Ter uma vasta rede de cartões distribuídos para clientes na área de atuação deste PONTO (condomínios, comércio e empresas) e comunicar aos seus clientes que está à disposição fisicamente (citar dias e horários) e virtualmente (celular, rádio, smartphone, etc.).
ü  Atenção: é necessário que seja efetuado um trabalho prévio de pesquisa para encontrar o(s) ponto(s) que se enquadram nos objetivos.
·   Processo (execução)
Ø  Definido(s) o(s) ponto(s), iniciar a aplicação da estratégia.
ü  Definir o prazo, em nº de dias, para a 1ª avaliação (muito importante). Não pode ser curto demais (pode resultar em “verdades” enganosas) nem tão pouco longo demais (se a estratégia se mostrar totalmente errônea, pode-se perder dinheiro).
ü  Utilizando seu HARDWARE (aquela caderneta de cinco reais), fazer as anotações diárias e bem detalhadas, efetuar os cálculos dos Indicadores e compará-los com a situação atual e a situação planejada.
                                                                                          i.    Receita (faturamento)
                                                                                         ii.    Quantidade de Viagens
                                                                                        iii.    Km percorrida
                                                                                        iv.    Despesas Diretas
                                                                                         v.    Km Rodados por viagem= KM/nº de viagens
                                                                                        vi.    Receita por Viagem=Receita/nº de viagens
                                                                                       vii.    Receita por km rodados=Receita/km rodados
                                                                                      viii.    Despesa Direta por Viagem=Despesa Direta/nº de viagens
                                                                                        ix.    Despesa Direta por km rodados=Despesa Direta/km rodados
                                                                                         x.    Quantos Clientes são primeira vez e quantos já são conhecidos.
ü  Executar a análise dos Indicadores da situação Atual x Planejado x 1º período. Para Facilitar o entendimento, usaremos a tabela 2 abaixo como exemplo:


Tabela2 – Análise Perfil Atual x Corridas Curtas (Planejado e 1º período de avaliação)

Ø  Planejado: Na coluna do meio (Viagens Curtas Planejamento), vemos que o objetivo era obter:
®      Maior Quantidade de Viagens por dia (23 x 11), menor km rodados por dia (138 x 171), maior Receita por km rodados por viagem (+24% R$ 2,48 x R$2,00), que resultariam em valor de Receita mensal muito próximo ao atual (R$ 9.252,00).
®      Com a menor quilometragem, haveria redução das Despesas Diretas no mês, gerando maior Margem Mensal (+12% = + R$ 695,00) e, consequentemente, maior Resultado mensal (+18% = + R$ 695,00).
Ø  Real 1º período: Analisando os indicadores da coluna da direita (Real do 1º período), vemos que os resultados obtidos em comparação ao Planejado foram:
®      Quantidade de Viagens por dia menor em 52% (11 x 23), menor quantidade de km rodados por dia (110 x 138), menor Receita por km rodados por viagem (-13% R$ 2,17 x R$ 2,48), que resultaram em Receita inferior (-30% = - R$ 2.808,00) que a planejada (R$ 6.444,00 x R$ 9.252,00).
®      A redução de R$ 554,00 na Despesa Direta no mês não foi suficiente para igualar a queda da Receita no mês, tendo resultado em uma Margem Mensal menor (-35% = - R$ 2.254,00) que o planejado (R$ 4.271,00 x 6.525,00) e, consequentemente, em um Resultado mensal menor (-50% = - R$ 2.254,00) que o planejado (R$ 2.271,00 x R$ 4.525,00).
Ø  Observações:
®      Analisar os prováveis motivos para que a média da quantidade de viagens tenha sido muito menor (com tempo e quilometragem maiores) que a planejada.
(1)   Verificar se este comportamento (média) se manteve estável durante todas as semanas do período ou está evoluindo (por exemplo, se na última semana do período a quantidade de viagens já foi maior, com menor tempo e quilometragem).
(2)   Analisar se o ponto/Cooperativa dispõe de estrutura de comunicação eficiente.
(3)   Analisar se o ponto/Cooperativa tem o tipo de demanda desejada.
(4)   Analisar qual o % dos Clientes são primeira vez e qual o % já é composto por viagens anteriores/indicação.
Ø  Tomar as decisões, fazer os ajustes decorrentes destas (Objetivos, Plano de Ação e Processo), retomando o ciclo de acompanhamento.


2.     Proposta: Melhoria do Resultado, aumentando o valor médio por viagem e a quilometragem e reduzindo a receita por km percorrido.
®     Fazendo preferencialmente corridas mais longas, aumenta-se a Receita, a Margem e, consequentemente o Resultado.
·   Por que (objetivo)?
Ø  Aumentar a Receita por viagem
Ø  Aumentar o tempo em viagens, ficando menos tempo parado.
Ø  Diminuir em um dia o tempo necessário para pagamento das Despesas Fixas.
·   Como (plano de ação)?
Ø  Se associar a uma Cooperativa ou Grupo com excelente estrutura de comunicação. A característica principal desta Cooperativa é possuir uma grande base de clientes com forte demanda para viagens médias e grandes distribuídas ao longo do dia.
ü  Não se esquecer de distribuir seu cartão de visitas aos clientes para fidelização.
ü  Atenção: É necessário que seja efetuado um trabalho prévio de pesquisa para encontrar a(s) Cooperativa(s) e Grupo(s) que se enquadram nos objetivos.
·   Processo (execução)
Ø  Definido(s) o(s) ponto(s), iniciar a aplicação da estratégia.
ü  Definir o prazo, em nº de dias, para a 1ª avaliação (muito importante). Não pode ser curto demais (pode resultar em “verdades” enganosas) nem tão pouco longo demais (se a estratégia se mostrar totalmente errônea, pode-se perder dinheiro).
ü  Utilizando seu HARDWARE (aquela caderneta de 5 reais), fazer as anotações diárias e bem detalhadas, efetuar os cálculos dos Indicadores e compará-los com a situação atual e a situação planejada.
                                                                                          i.    Receita (faturamento)
                                                                                         ii.    Quantidade de Viagens
                                                                                        iii.    Km percorrida
                                                                                        iv.    Despesas Diretas
                                                                                         v.    Km Rodados por viagem= KM/nº de viagens
                                                                                        vi.    Receita por Viagem=Receita/nº de viagens
                                                                                       vii.    Receita por km rodados=Receita/km rodados
                                                                                      viii.    Despesa Direta por Viagem=Despesa Direta/nº de viagens
                                                                                        ix.    Despesa Direta por km rodados=Despesa Direta/km rodados
                                                                                         x.    Quantos Clientes são primeira vez e quantos já são conhecidos.
ü  Executar a análise dos Indicadores da situação Atual x Planejado x 1º período. Para Facilitar o entendimento, usaremos a tabela 3 abaixo como exemplo:

Tabela3 – Análise Perfil Atual x Corridas Médias/Longas (Planejado e 1º período de avaliação)

Ø  Planejado: Na coluna do meio (Viagens Médias/Longas Planejamento), vemos que o objetivo era obter:
®      Maior valor de Receita por viagem (R$ 50,08 x 31,51), gerando maior Margem por dia trabalhado (R$ 244,36 x 215,93).
®      Com a maior Margem por dia trabalhado, a quantidade de dias para pagamento das Despesas Fixas seria reduzido de 9 para 8.
®      Maior Margem Mensal (+13% = + R$ 768,00) e, consequentemente, maior Resultado mensal (+20% = + R$ 768,00).
Ø  Real 1º período: Analisando os indicadores da coluna da direita (Real do 1º período), vemos que os resultados obtidos em comparação ao Planejado foram:
®      Quantidade de Viagens por dia menor em 38% (5 x 8) e a redução na Margem por dia trabalhado (-19% = - R$ 46,42) resultaram em Receita mensal inferior (-18% = - R$ 1.922,00) que a planejada (R$ 8.896,00 x R$ 10.818,00).
®      A redução de R$ 664,00 na Despesa Direta no mês não foi suficiente para igualar a queda da Receita no mês, tendo resultado em uma Margem Mensal menor (-19% = - R$ 1.259,00) que o planejado (R$ 5.339,00 x 6.598,00) e, consequentemente, em um Resultado mensal menor (-27% = - R$ 1.259,00) que o planejado (R$3.339,00 x R$ 4.598,00).
Ø  Observações:
®      Analisar os prováveis motivos para que a média da quantidade de viagens tenha sido muito menor (com tempo e quilometragem maiores) que a planejada, gerando perda de tempo com longos retornos para a área de atuação sem Clientes.
(1)   Verificar se este comportamento (média) se manteve estável durante todas as semanas do período ou está evoluindo (por exemplo, se na última semana do período a quantidade de viagens já foi maior, com menor tempo e quilometragem).
(2)   Analisar se o Grupo/Cooperativa dispõe de estrutura de comunicação eficiente.
(3)   Analisar se o Grupo/Cooperativa tem o tipo de demanda desejada.
(4)   Analisar qual o % dos Clientes são primeira vez e qual o % já é composto por viagens anteriores/indicação.
Ø  Tomar as decisões, fazer os ajustes decorrentes destas (Objetivos, Plano de Ação e Processo), retomando o ciclo de acompanhamento.

Estas foram apenas duas propostas de Avaliação. Existem infinitas possibilidades de definir quais os objetivos de Precificação Estratégica, estruturar um Plano de Ação, acompanhar os Resultados obtidos e efetuar as correções necessárias visando atingir o nível de Produtividade e Qualidade esperados.
Utilizando o recurso de “bater na mesma tecla”, é importante entender que os princípios teóricos de Precificação Estratégica, Produtividade e Qualidade aplicados na atividade de um Taxista não diferem de qualquer outro negócio.
Vimos aqui estratégias para aumentar o Preço médio de um produto ou serviço e suas implicações na demanda, análise das variações do Mercado. Entendemos que a principal motivação na Formação do Preço é a Lucratividade Esperada e que cada item acima pode ser aplicado a qualquer empreendimento, seja ele Produção, Transporte, Compra&Venda ou Prestação de Serviços.

Bruno F. Moura
(Outubro de 2012)

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